Após morte da mãe no parto, recém-nascido tem alta e vai morar com a avó no Acre: 'Amava o filho'
Avó mostra quarto preparado para receber o neto em Sena Madureira O pequeno Bernardo, filho da jovem Maria Raissa, de 18 anos, que morreu após complicações ...
Avó mostra quarto preparado para receber o neto em Sena Madureira O pequeno Bernardo, filho da jovem Maria Raissa, de 18 anos, que morreu após complicações no parto na última terça-feira (18) recebeu alta na quarta (19) e está com a avó materna, Kelle da Silva. Ela e o namorado de Raissa, pai do menino, vão cuidar do recém-nascido. A criança passa bem, segundo a família. Raissa deu entrada no Hospital João Câncio Fernandes na madrugada de terça após a bolsa estourar e foi submetida a uma cesariana por conta da pressão alta. Após o parto, ela teve eclâmpsia, convulsões e morreu. Para a família, houve negligência médica no atendimento prestado à jovem. A Polícia Civil instaurou um inquérito e investiga o caso. Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado informou que, após o parto, a paciente apresentou uma convulsão, sendo diagnosticada com eclâmpsia. Com o agravamento do quadro, ela foi entubada. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp "Estava tudo preparado para a chegada do meu neto. Desfiz a bolsa dela ontem [quarta-feira,19], tirei a maquiagem que ela disse que iria se maquiar quando recebesse alta. O quarto estava todo preparado esperando, reformei a casa para esperar meu neto", lamentou Kelle. Um vídeo gravado no quarto de Raissa mostra o enxoval do menino preparado para recebê-lo. Ela destaca que a filha estava feliz com a gravidez e ansiosa pela chegada do filho. "Quando for crescendo, vou falar todos os dias sobre ela para ele. Talvez me chame de mãe, mas vou falar que a mãe dele era a Raissa. Ela amava muito ele", disse emocionada. Mãe de Maria Raissa vai cuidar do neto após morte da filha em Sena Madureira Arquivo pessoal Mãe acusa médico de negligência Kelle contou que a filha fez todo o pré-natal particular com o médico José Hassem. Já na reta final da gravidez, o profissional marcou a internação de Raissa para dia 12 e o parto para o dia seguinte em uma clínica particular, conforme a mãe. O g1 tentou contato com o médico por meio do número da clínica particular onde ele atende, contudo, até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno. "Levamos a documentação, a carteirinha, tudo. Quando chegamos lá ele perguntou o que ela estava fazendo lá e falamos sobre o agendamento do parto. Ele falou que não, que ia deixar para semana que vem. Raissa falou que estava com medo, mas ele falava que estava tudo bem", relembrou. Com a liberação, Kelle recorda que a filha ficou preocupada e com medo do adiamento do parto. A mãe da jovem confirmou que a pressão da filha se manteve alta praticamente durante toda a gravidez. "Mas, o médico falava que era normal. Depois que saímos da clínica, fui com ela almoçar na casa da minha mãe, e ela estava muito chateada. Acho que isso mexeu ainda mais com a pressão alta. Minha mãe tentou acalmar ela, mas ficou com muita raiva", disse. Maria Raissa tinha 18 anos e morreu após ter eclâmpsia Arquivo pessoal Na última sexta (14), Raissa passou mal e foi para a clínica médica. Novamente, o profissional a mandou para casa e afirmou que estava tudo bem com ela e a criança. "Ele falou que iria tirar a criança na próxima quinta [20] e pediu para ela ir no hospital na terça [18] à noite. Na segunda [17] ela me ligou falando que o Bernardo não estava mexendo e fomos ao posto de saúde. A pressão dela estava 14 por 8 e fomos para a clínica de novo", complementou. LEIA MAIS: VÍDEO: Mulher dá à luz em calçada no interior do Acre; bebê estava preso à roupa da mãe 'Pensou que ia perder a filha', diz prima de mulher que deu à luz em calçada de rua no Acre Mãe denuncia negligência após morte de bebê prematuro em maternidade no Acre: 'Dor que não passa' Pela terceira vez, Raissa voltou para a casa com a mãe sem o filho nos braços. Kelle relembra que não conseguiu dormir e pela madrugada Raissa começou a sangrar e foi para o hospital. "Perdi o sono, como se fosse acontecer algo. Ela se levantou para fazer xixi e falou que estava sangrando. Fomos para o hospital e a pressão dela estava 16 por 10. Começaram a dar remédio para baixar", destacou. Raissa tirou foto ao lado da mãe antes de entrar na sala de cirurgia Arquivo pessoal Cesariana Segundo Kelle, o médico que fez o pré-natal da filha estava no plantão e, juntamente com outro médico, decidiram tirar a criança por conta da pressão alta. Antes de entrar na sala de cirurgia, Raissa tirou uma foto com a mãe. "Ela estava tranquila de que ia dar tudo certo. Entraram com ela e, passou um tempo, trouxeram o Bernardo pra mim. Chorei de emoção ao ver meu neto, perguntei pela minha filha e a enfermeira falou que ela estava bem. Passou um tempo, a enfermeira falou que ela convulsionou. Não me deixaram entrar e fiquei desesperada", contou a mãe. A mãe de Raissa foi informada pelos médicos que a pressão dela tinha subido, iriam entubá-la e transferir para Rio Branco. Foi solicitado apoio aéreo para a transferência, contudo, a jovem morreu antes do helicóptero chegar. "Falavam que ela estava bem, mas eu sabia que não. A levaram para a sala vermelha, fui lá e perguntei se ela me reconhecia e balançou a cabeça que sim. Era para ter levado minha filha para Rio Branco, alugado um carro e ela ter feito o parto lá. Dava para ter feito isso", finalizou. Reveja os telejornais do Acre